Dados do Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), divulgados nesta quarta-feira (29), apontam que Maceió tem o pior desempenho entre as capitais brasileiras no acesso à pré-escola, com mais de 30% das crianças de 4 e 5 anos fora da sala de aula, apesar da obrigatoriedade prevista em lei desde 2013.
O levantamento mostra que apenas 64,8% das crianças nessa faixa etária estão matriculadas na capital alagoana. Isso significa que mais de um terço do público-alvo não tem acesso à educação infantil, em desacordo com a legislação que tornou obrigatória a matrícula a partir dos 4 anos.
O cenário contrasta com o de capitais como Belo Horizonte, Curitiba, São Paulo e Vitória, que já universalizaram o atendimento e garantem vaga para 100% das crianças de 4 e 5 anos.
O novo indicador do Iede mede o atendimento à educação infantil em nível municipal, com atualização anual, permitindo acompanhar o acesso de crianças às creches (0 a 3 anos) e pré-escolas (4 e 5 anos) em todo o país. O cálculo se baseia no cruzamento dos dados de matrículas do Censo Escolar com projeções populacionais do IBGE, estimando a cobertura de atendimento em cada localidade.
Além de Maceió, o levantamento revela um problema nacional: 16% dos municípios brasileiros não atingem nem 90% de cobertura na pré-escola. Em números absolutos, isso representa mais de 300 mil crianças fora da escola.
Especialistas apontam que a ausência na pré-escola compromete o desenvolvimento educacional e amplia desigualdades ao longo da vida escolar. Ainda assim, o estudo indica que fatores como vulnerabilidade social não explicam isoladamente os baixos índices, já que há municípios com dificuldades socioeconômicas que conseguem alcançar alta cobertura.



