Após meses de expectativa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu indicar a procuradora Marluce Caldas para ocupar a vaga destinada ao Ministério Público no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A escolha encerra uma indefinição que se arrastava há quase nove meses e deve ser oficializada nos próximos dias com a publicação no Diário Oficial da União.
Marluce Caldas é tia do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC. Sua indicação ocorreu a partir de uma lista tríplice que também incluía o subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos e o procurador de Justiça do Acre Sammy Lopes.
A decisão de Lula vem semanas após a indicação do desembargador piauiense Carlos Brandão para outra vaga na Corte, escolhida a partir da lista tríplice da magistratura.
A nomeação de Marluce, no entanto, não é vista apenas como um ato técnico. Ela tem provocado movimentações intensas no cenário político de Alagoas, especialmente entre os grupos liderados por JHC e o deputado Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados até fevereiro deste ano.
Segundo informações de bastidores, Lira teria solicitado um “tempo” ao Planalto antes da definição da segunda vaga no STJ. O parlamentar busca viabilizar sua candidatura ao Senado em 2026, mas vê seu caminho ameaçado caso JHC também entre na disputa, possivelmente aliado ao senador Renan Calheiros, seu principal adversário no estado.
Aliados do prefeito de Maceió apontam que a escolha de Marluce pode estar ligada a um acordo político mais amplo com o governo Lula. Há rumores de que JHC poderia se aproximar da base petista em Alagoas, inclusive com a possibilidade de mudança de partido, visando uma aliança para as eleições de 2026.
Se confirmada, a nomeação de Marluce Caldas ao STJ poderá ter repercussões que vão além do Judiciário, influenciando diretamente os rumos da sucessão política em Alagoas e as composições para o próximo pleito.




